Especial Nossa Farroupilha: Voluntariado é a chave para a evolução de projetos sociais no município

No dicionário, a palavra solidariedade significa o “estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si igualmente as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas”. Mas é fora do papel, que o termo ganha verdadeiro sentido, transformando a vida de quem se propõe a ser solidário com o outro e, é claro, daqueles que são amparados pela atitude.

A ajuda a quem mais precisa pode ser feita de diversas maneiras: por conta, com um grupo de amigos, doando itens de alimentação, roupas, entre outros. Ajudar faz bem, sempre. No entanto, existem iniciativas já consolidadas, organizadas por entidades ou poder público, que dependem muito do voluntariado. Em Farroupilha, esse tipo de trabalho tem sido a chave para a evolução e o crescimento de projetos sociais, como o Querer Bem. A iniciativa está beneficiando dezenas de moradores graças ao trabalho de pessoas que dedicam parte do seu tempo ao bem-estar social, sem ter remunerações financeiras.

Rosália Messinger, Teresinha Ferrari, Ana Silvestri, Teresinha Anselmi Lovat, Marli Perotoni fazem parte da equipe de voluntários do Querer Bem

O Querer Bem é uma iniciativa do Gabinete da Primeira Dama, administrada juridicamente pela Associação Farroupilhense Faz Bem, voltada à produção de fraldas infantis e geriátricas, além de absorventes, que são doados mensalmente para cerca de 150 pessoas de baixa renda do município. Atualmente são confeccionadas 17 mil unidades por mês. São jovens, adultos e idosos acompanhados pelo Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), amparados no momento em que se encontram em uma situação frágil. A proposta recebe apoio da Prefeitura para manter a estrutura física, através da cedência do espaço no Centro de Atendimento ao Cidadão (CEAC) e com parcerias para busca de verbas.

 

“A gente vê que o preço das fraldas, que são feitas com material importado, está subindo cada vez mais. Dificilmente as pessoas que usam vão deixar de usar. Fora todos os outros cuidados, como medicamentos, por exemplo, então é um orçamento dificultoso, uma triste realidade. Por isso, 120 fraldas por mês é uma quantidade muito boa, que faz toda a diferença para elas”, avalia Francis.

 

Desde 2013, o projeto evoluiu muito. Naquele ano foram adquiridas uma máquina semi industrial, uma semiautomática para acabamento e corte, uma esterilizadora e uma seladora para lacrar as embalagens. No ano seguinte, a matéria-prima para confecção de fraldas ganhou qualidade, com a substituição do material de PVC usado há mais de onze anos – ainda quando o projeto se chamava Gesto de Amor – por um de polietileno micro porado. A partir daí o projeto manteve-se, acelerando a produção e se adequando às necessidades dos pacientes.  “Não podemos esquecer que esse projeto sempre foi de suma importância. O que a gente fez foi ter um olhar mais profissional, da área da saúde. Pensamos primeiro na qualidade, depois em aumentar a quantidade e aos poucos tornar uma fralda industrial, que sai esterilizada e etiquetada”, explica a Primeira-Dama, Francis Somensi.

 

Originalmente, o projeto prevê a doação de duas fraldas ao dia para todos os beneficiários; três para casos de doenças crônicas e quatro em situação de hospitalizações. Com a verba do Fundo do Idoso, foi possível alcançar quatro fraldas ao dia para todos

 

O evento solidário que ajuda a manter o projeto é o Jantar do Peixe, que neste ano chegará a sua 17ª edição. Os recursos arrecadados com a venda de ingressos, de bebidas e com patrocínios de empresas é utilizado exclusivamente para confecção das fraldas. A utilização do valor passa por aprovação de um conselho e as despesas são pagas através da Associação FazBem. A entidade, sem fins econômicos e lucrativos, de caráter beneficente e comunitário, foi fundada por um grupo de voluntárias em 2013, com a finalidade de auxiliar projetos voltados às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

“Quando assumimos, tinha ainda muito investimento do município e nós decidimos que iríamos nos virar com a realização do Jantar. Hoje é um evento consolidado, são mais de setecentas pessoas que participam, que compram esses ingressos com valor agregado e sabem da seriedade do projeto. Muitas além de participar, ajudam de forma voluntária em toda a organização. Também se viu a possibilidade de utilização de verbas do Fundo do Idoso e hoje, não se tem necessidade de pegar dinheiro público, o projeto anda praticamente pelas próprias pernas”, conta Francis. Neste ano, a data para o Jantar já está definida. Será no dia 28 de outubro.

 

“Sou voluntária desde os 12 anos, minha família sempre foi engajada. No projeto estou há mais de uma década. Eu me sinto me doando, acrescentando alguma coisa para a sociedade. É muito bom sentir a gratidão das pessoas, é muito profundo, vou embora todos os dias sabendo que cada uma dessas pessoas está indo dormir aconchegados, limpos e secos. Se não fosse o benefício, muitos deles teriam fralda pano”, reflete Marília.

Claro que o Querer Bem não cresceria tanto, se não fosse o trabalho dos voluntários, que hoje já são cinquenta . “É um processo que depende muito disso. Por mais que a gente conseguiu angariar fundos, que o Jantar suprisse as necessidades financeiras, mas a mão de obra é fundamental. Se não fossem eles, não conseguiríamos passar de uma para quatro fraldas ao dia”, diz Francis. Para a colaboradora mais antiga do projeto, Marília Trubian, além de colaborar com a produção de fraldas, o voluntariado faz bem a quem se doa. “Todos aqui se sentem muito úteis. Trabalham ao seu tempo, tem companhia e até criam e fortalecem amizades. É um ambiente de troca, a gente sai a cada dois meses, faz encontros, almoços, vamos a cafés, enfim, é um ambiente de atualização pessoal também”.

Seu Hilário da Silva Padilha, 67 anos e Dona Zenaide Biz Padilha, 69 anos, moradores do bairro São Roque, concordam. O casal ajuda na iniciativa há cerca de três meses. “Minha mãe utiliza as fraldas, então, se somos ajudados, por que não retribuir ajudando também? Só quem sente na pele reconhece o valor de um trabalho desses. Eu sou aposentado e minha esposa é dona de casa, se a gente não viesse aqui, estaria em casa, às vezes sem fazer muita coisa, então, é muito melhor ser útil e auxiliar alguém. Também é uma distração para nós, a gente se sente bem aqui, o pessoal aqui é legal, uma família”, conta Padilha.

 

Seu Hilário e Dona Zenaide praticam a gratidão no projeto Querer Bem

Para ser um voluntário do Querer Bem, além de muito amor e dedicação, é preciso ir até a sede do projeto (Centro de Atendimento ao Cidadão, com entrada pela Rua 13 de Maio), apresentar CPF, RG e Cartão SUS. O horário de atendimento é das 8h30 às 11h30 e das 13h15 às 17h. De acordo com Marília, além de pessoas que auxiliam no dia-a-dia, empresas também montam grupos e ajudam em horários especiais, como às terças-feiras, além de entidades que juntam esforços e aceleram a produção em épocas de férias e feriados. Exemplos são os Clubes de Mães, Sicredi, Malharia Anselmi, Rotary Nova Vicenza, Escoteiros e o Capítulo Farroupilha nº725 da ordem DeMolay.

Para ter acesso ao benefício é preciso ir até os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS I e II), respectivamente na Rua Antônio Benvenutti, 67, no Bairro Industrial e Rua da República, 540 Centro, apresentando comprovante de residência, carteira de identidade, CPF ou Certidão de Nascimento e cartão SUS do paciente. É preciso apresentar ainda carteira de identidade e CPF do responsável e cartão SUS.

A distribuição acontece sempre na última quarta-feira de cada mês, no Centro de Atendimento ao Cidadão (CEAC), das 8h30 às 17h, sem fechar ao meio-dia, com entrada pela Rua 13 de Maio, em frente ao Hotel Concatto. A próxima entrega de fraldas será no dia 31 de maio.

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Texto: Renata Parisotto

Ilustração: Jonas Viega

Fotos: Jonas Viega e Adroir Fotógrafo

Edição: Assessoria de Imprensa e Comunicação Social

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