Especial Nossa Farroupilha: Terapia com cavalos auxilia na socialização de crianças e adolescentes autistas

Saiba como ajudar esse e outros projetos sociais através da destinação do Imposto de Renda

A equoterapia é destinada a crianças e adolescentes de 5 a 18 anos de idade. O guia Albino e a terapeuta Cristiane realizam 23 atendimentos de 20 minutos por semana

A felicidade estampada no rosto de Ágata Cristi, 14 anos, já diz muito sobre os benefícios da equoterapia para os portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que prejudica a capacidade de se comunicar e interagir. Por três vezes na semana, ela é atendida com o método que utiliza o cavalo como instrumento terapêutico e educacional. As sessões são disponibilizada pela Associação de Pais e Amigos do Autista de Farroupilha (Amafa), na Escola Sonho Azul e veem proporcionando avanços significativos na superação dos prejuízos sensoriais, motores, cognitivos, linguísticos e comportamentais causados pelo autismo.

Estima-se que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, possua cerca de dois milhões de autistas, segundo dados do Center of Deseases Control and Prevention (CDC)

Cristiane Pereira Pinto, terapeuta que há um ano trabalha no local, ressalta o quão importante é a equoterapia para que as crianças e adolescentes desenvolvam novas habilidades. “A interação com o cavalo desde o primeiro contato e cuidados preliminares até a montaria desenvolve novas formas de comunicação, socialização, autoconfiança e autoestima. Além disso, melhora o equilíbrio, a postura, desenvolve a coordenação motora, a motricidade fina, estimula a sensibilidade tátil e reforça o tônus muscular. Tudo isso é fundamental para que eles se tornem até mais autônomos”, destaca.

Apaixonada pelo que faz, a profissional, comemora os resultados alcançados. “Quando cheguei aqui, tinha uma criança que não estava mais conseguindo fazer as aulas, por não conseguir subir no cavalo e se manter nele. Então, nós improvisamos com almofadas, colocamos ela no animal e aos poucos a menina foi criando firmeza no corpo e hoje, depois de doze meses, já consegue ir sozinha, sentada, o que consideramos uma evolução rápida. Outros já conseguem segurar as rédeas, se tornaram mais sociáveis e mais calmos. Eu sempre brinco que o contato com o cavalo é um verdadeiro calmante natural instantâneo”, comemora.

Durante toda a sessão, a terapeuta ajuda ainda a estimular a fala, a comunicação, funções de linguagem, processamento sensoriais, orientação espacial e temporal, memória, raciocínio, entre outros. “Como sou acadêmica de Fonoaudiologia, procuro levar para eles tudo que aprendo. Muitas vezes enquanto eles andam a cavalo, a gente treina palavras que eles tem dificuldade, faz repetições, é extremamente importante esse momento”, explica Cristiane.

A Coordenadora de Educação da Escola, Aline da Rosa, explica que para o projeto acontecer anualmente são necessários R$ 30 mil. “Atendendo de seis a oito alunos, o que soma 23 atendimentos mensais e arcar com os custos de pessoal e alimentação do cavalo, precisamos minimamente desse valor. Nós recebemos valores da Prefeitura para os adultos, mas não temos recursos garantidos para educação e a oferta de serviços extras como a equoterapia e a natação”, ressalta.

Por muito tempo, a realização do serviço terapêutico dependeu de ações beneficentes, doações e outras fontes de renda para se manter. Porém, há dois anos, a Amafa passou a contar com os recursos do Fundo Municipal dos Diretos da Criança e Adolescentes, abastecido especialmente por multas referentes a legislação trabalhista e ao descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela destinação do Imposto de Renda de Pessoas Físicas e Jurídicas.

Conforme Paulo Ricardo Scariot, Presidente do Conselho Municipal dos Diretos da Criança e Adolescentes, para que o dinheiro volte à população, em forma de prestação de serviços, o Comdica lança anualmente um edital, onde entidades de cunho social, além de Conselhos de Pais e Mestres, associações, academias e outros institutos podem se candidatar a receber os valores e colocar em prática projetos voltados a esse público. No ano passado, além da Equoterapia, outras 15 iniciativas foram beneficiadas após aprovação do Conselho. No total, foram destinados mais de R$ 459 mil para o desenvolvimento delas.

  • Medianeira: Uma escola viva! – Apresentado pelo CPM da EMEF Nossa Senhora Medianeira – Repasse de R$ 23.213,50
  • Atividades de Contraturno Escolar: Teatro, Danças Tradicionais e Coral Infantil – Apresentado pelo CPM da EMEF Zelinda Rodolfo Pessin – Repasse de R$ 30.000,00
  • Construtores da Paz – Apresentado pelo CPM da EMEF Senador Teotônio Vilela – Repasse de R$ 30.000,00
  • Cultura e Arte: Valorizando o todo na singularidade de cada um – Apresentado pelo CPM da EMEF Angelo Venzon Neto – Repasse de R$ 30.000,00
  • Aluno + Esporte = Cidadão – Apresentado pelo CPM do DMD – Repasse de R$ 23.838,40
  • Porque lugar de criança/adolescente é na escola! – Apresentado pelo CPM da EMEF João Grendene – Repasse de R$ 30.000,00
  • Proteger para transformar – Apresentado pelo CPM do Colégio Estadual São Tiago – Repasse de R$30.000,00
  • Construindo Cidadania – Apresentado pelo CPM da EEEF Rui Lorenzi – Repasse de R$30.000,00
  • Construindo Vidas no Bairro Industrial – Apresentado pelo CPM do Centro Ocupacional Senador Teotônio Vilela – Repasse de R$30.000,00
  • Grupo Teatral Infanto Juvenil – Apresentado pelo Rotary Club Farroupilha – Repasse de R$30.000,00
  • Garantindo a Continuidade do serviço de Fisioterapia – Apresentado pela APAE- Repasse de R$30.000,00
  • Mais Escoteiros, melhores Cidadãos – Apresentado pelo Grupo Escoteiro Rouxinol da Serra – Repasse de R$29.994,79
  • Projeto VenVer – Apresentado pelo Unidos do Tae Kwon Do Club – Repasse de R$29.040,00
  • Reformulando um Espaço de Lazer – Apresentado pela Associação Farroupilhense Pró Saúde – Repasse de R$23.196,52
  • Participando do Programa Florescer – Apresentado pelo Instituto Elisabetha Randon – Repasse de R$30.000,00 mais R$60.000,00 com arrecadação própria pré destinada via FMCA;
  • Equoterapia – Uma nova linguagem ao alcance de todas as crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) e outras deficiências. – Apresentado pela AMAFA – Repasse de R$30.000,00

 

Porém, essa realidade poderia ser muito melhor. Estima-se que se as pessoas destinassem parte do seu Imposto de Renda (IR) para Fundos como esse, cerca de R$ 1,5 milhão a mais poderia ser aplicado em políticas públicas voltadas aos direitos das crianças, adolescentes e idosos, além de outras ações de cunho social, em Farroupilha.

Para mudar esse cenário, a Prefeitura de Farroupilha, por meio do Gabinete da Primeira Dama e apoio das Secretarias Municipais de Desenvolvimento Social e Habitação e de Gestão e Desenvolvimento Humano, lançou nesta semana a campanha Destino Certo. O objetivo é sensibilizar moradores, especialmente profissionais liberais, autônomos, empresários e servidores públicos a deixarem parte de seus tributos no município, favorecendo assim atividades como a Equoterapia e outros projetos sociais.

Para saber como auxiliar é só acessar o link: http://farroupilha.rs.gov.br/novo/o-seu-imposto-de-renda-tem-destino-certo-em-farroupilha/.

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Texto: Renata Parisotto

Fotos: Adroir Fotógrafo, Amafa e Bancos de Imagens

Edição: Assessoria de Imprensa e Comunicação Social

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