Especial Nossa Farroupilha: Samuzinho prepara estudantes para situações de emergência

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Além de ensinar os primeiros socorros, o projeto quer resgatar conceitos de solidariedade e amor ao próximo

 

     Ao ouvir a sirene de uma ambulância, o que você pensa? Para a maioria das pessoas, é comum associar o som a uma situação trágica: um acidente de trânsito, alguém ferido, afogamentos, convulsões, quedas, agressões, entre outros fatos ruins.

Imagens da simulação realizada no Dia Mundial da Saúde em Farroupilha

Nessa mesma hora, quando nos sentimos impotentes, existem pessoas que carregam o compromisso de agir o mais rápido possível e preservar a vida de quem passa pelo momento difícil. Estamos falando dos profissionais que trabalham no atendimento de urgências e emergências. São médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, bombeiros e por vezes policiais militares. Nessa hora, o conhecimento técnico e a experiência desses profissionais são fatores extremamente importantes para garantir o socorro eficiente às vítimas. No entanto, você sabia que até pessoas comuns podem ajudar e evitar o agravamento da situação em diversos casos?

Secretárias Elaine Giuliato e Rosane da Rosa, acompanhadas pela enfermeira do SAMU, Janaína Bortoluzzi Maffei

Com objetivo principal de orientar adultos e crianças a identificarem uma situação de risco e saberem como agir, o projeto Samuzinho está sendo implantado em Farroupilha. Lançado oficialmente no dia 07 de abril, durante as atividades alusivas ao Dia Mundial da Saúde, a parceria entre Prefeitura Municipal e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência vai ensinar em sala de aula os procedimentos de primeiros socorros, além de conscientizar sobre a importância do SAMU.

Para colocar a atividade em prática, a Secretaria Municipal de Educação está verificando o interesse das escolas em receber o projeto e elaborando um cronograma para as visitas, que iniciarão no segundo semestres do ano. Inicialmente, as aulas serão direcionadas aos alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. “Vamos começar com os estudantes maiores. Acreditamos que por já terem uma compreensão, o conteúdo será melhor aproveitado, eles terão condições de ajudar os mais pequenos e passar para seus pais. Após, se tem a ideia de estender as professoras das Escolas Municipais de Educação Infantil, já que o engasgamento é um dos problemas mais frequentes com crianças pequenas e elas podem ter que agir”, explica a Secretária Elaine Giuliato.

   De acordo com enfermeira Janaína Bortoluzzi Maffei, responsável técnica do SAMU em Farroupilha, a ideia era antiga e finalmente foi acolhida pelo poder público. “ Já tínhamos esse trabalho previsto, era uma idealização nossa e foi abraçada pela Secretária de Saúde e agora também pela Educação. O pessoal está empolgado, gosta da parte didática, explicativa, de chamar para a prática e ensinar. Claro que terão custos, com gasolina, deslocamento do pessoal, mas o que vale mais do que isso é a educação, o trabalho de humanização e afeto”, ressalta.

Para a Secretária de Saúde, Rosane da Rosa, o Samuzinho vai ao encontro do que já se enfatiza na área: a prevenção. “Quanto mais ações preventivas, menos mortalidade teremos. Qualificando os primeiros socorros com os estudantes e principalmente com os professores para que eles possam emergencialmente fazer essas primeiras ações até que o SAMU chegue, já diminui a probabilidade de sequelas futuras”, como reforça a enfermeira Janaína: “O primeiro atendimento é fundamental. Para chegar até nós, o chamado passa por Porto Alegre, por vezes não é tão rápido. Então quem está do lado e tiver noção do que fazer, pode salvar vida da outra pessoa”, diz.

Inicialmente, os encontros serão semanais ou quinzenais, de acordo com a disponibilidade da equipe técnica do SAMU. Para Janaína, a experiência vai se aprimorar ao longo dos anos. “Por questão dos horários, as escolas vão ter que se readequar, ter um tempo para nos receber. Como a ação é nova em Farroupilha, a gente vai aprendendo, analisando a adesão, a quantidade de alunos e o interesse da população. A nossa expectativa é que as escolas estejam de portas abertas”, destaca.

Técnico em enfermagem Rogério Torres do Couto e condutor Geomir Alan Da Cás demonstram situação de socorro em caso de convulsões
Demonstração relativa a casos de engasgos de bebês

Para as aulas, serão utilizados materiais informativos, como folders e cartilhas, uma das ambulâncias equipadas, além de bonecos de reanimação. “ Não adianta ir com maca, colar cervical, por que as escolas não são equipadas com esse material. Então, vamos ensinar o que fazer no improviso. A ideia é lidar com que a escola tem, e em como segurar a cervical, como chamar por socorro, principalmente nas escolas do interior onde o serviço de saúde tende a demorar mais para chegar”, diz.

A iniciativa do Ministério da Saúde foi aplicada pela primeira vez em 2007 no Distrito Federal (DF). Lá, além de ensinar os procedimentos, a meta era fazer com que as crianças e adolescentes deixassem de passar trotes para o 192, afinal, enquanto elas ocupavam a linha, outras pessoas poderiam estar precisando de verdade do socorro. No Rio Grande do Sul, o cenário se repete. Somente na Central Estadual que atende a 243 municípios, inclusive Farroupilha, são recebidas diariamente cerca de 8 mil ligações. Dessas, 25% são trotes, ou seja, em média 2 mil chamadas indevidas diariamente. “Claro, os profissionais que atendem na regulação são bem qualificados e quando o técnico identifica, ele resolve e não manda ambulância, mas de qualquer forma, já se está desperdiçando tempo”, explica Janaína.

A Secretária Elaine acredita que, apesar do trote ser um problema recorrente em todo o estado, em Farroupilha a realidade tende a ser outra, já que a utilização consciente do telefone é um dos itens já trabalhados nas escolas da rede. “Creio que aqui, nesse sentido, é mais consciente. Sempre trabalhamos a questão da responsabilidade, o uso próprio do telefone e do celular, então, um trabalho complementa o outro”. Para ela, o grande ganho que os estudantes terão é o aprendizado e o reforço dos conceitos de companheirismo e solidariedade. “O mais importante que vejo é a condição que ele dá para que se consiga ter uma atitude mais coerente e assertiva em relação ao atendimento de emergência na escola e é claro a questão de ser companheiro, solidário de ajudar o outro numa situação conflitante”, reflete. Estima-se que nessa primeira etapa mais de 2500 alunos receberão os ensinamentos.

 

SAMU em Farroupilha

O SAMU é um serviço público que tem o objetivo de prestar atendimento rápido à população em casos de urgência e emergência, através da solicitação pelo telefone 192. Em Farroupilha funciona desde 2011, anexo ao Pronto-Socorro do Hospital Beneficente São Carlos.

É uma Unidade de Suporte Básico e conta hoje com quatro técnicos de enfermagem, quatro condutores socorristas, duas ambulâncias e uma enfermeira responsável técnica. São atendidos em média são 120 chamados por mês.

 

Da esquerda para direita: condutor Amarildo Ferreira da Luz, condutor Adriano Fontanive, técnica em enfermagem Fernanda Gomes de Atayde, técnico em enfermagem Jonata Siqueira Soares, enfermeira Janaina Bortoluzzi Maffei, condutor Sidenei Feliponi, técnica em enfermagem Magda Moreira de Melo, técnico em enfermagem Rogério Torres do Couto e condutor Geomir Alan Da Cás

Como funciona? 

Ao discar 192, a ligação é atendida pela Central de Regulação Médica de Urgência em Porto Alegre. Muitas vezes, dependendo da gravidade do paciente, o atendimento poderá ser uma orientação do médico via telefone, sem necessidade de deslocar uma ambulância.

A enfermeira Janaína Bortoluzzi Maffei, o condutor Geomir Alan Da Cás e o Técnico em enfermagem Rogério Torres do Couto prepararam vídeos explicativos sobre as condutas iniciais corretas em situações de emergência até a chegada do SAMU, referentes a engasgos, crises convulsivas, desmaios e paradas cardíacas. Confira abaixo.

 

 

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Texto: Renata Parisotto

Ilustração: Jonas Viega

Fotos: Adroir Fotógrafo

Edição: Assessoria de Imprensa e Comunicação Social

imprensa@farroupilha.rs.gov.br

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