Especial Nossa Farroupilha: Nutrição de qualidade e muito amor no prato dos estudantes da rede municipal

O intervalo entre as aulas é um momento especial na rotina escolar. É quando o estudante pode conversar, brincar livremente, fazer novas amizades, enfim, socializar e construir experiências essenciais para o seu desenvolvimento. Mas, esse tempo, é importante também por outro motivo: é a esperada hora do lanche. Para muitos alunos, especialmente das escolas públicas de todo o Brasil, a refeição é a principal do dia, ganhando relevância no contexto educacional.

“Observamos que algumas crianças e adolescentes fazem na escola a única refeição do dia que é balanceada e tem um valor nutricional considerável, o que é fundamental para o progresso físico, mental e psicomotor deles. E quando estamos em situação de vulnerabilidade, a questão da alimentação toma um vulto maior ainda”, relata a Secretária Municipal de Educação, Elaine Giuliato.

Por ser um momento tão significativo e de tanta relevância no contexto social de um município, é que em Farroupilha, a alimentação dos estudantes da rede municipal de ensino é tratada com muita atenção e amor. Em 2015, foram aplicados R$ 855 mil somente na aquisição de gêneros alimentícios para o ensino fundamental, além dos investimentos em material de cantina e gás de cozinha que ultrapassaram os R$ 73 mil.

Para que os itens cheguem até o prato dos estudantes com propriedades preservadas e muito sabor, o trabalho inicia antes e encerra bem depois da hora do lanche. “Tudo começa com a escolha de alimentos e a aquisição deles por meio de licitação e chamada pública. Elaboramos cronograma de entrega dos produtos e o cardápio de acordo com a faixa etária, a etapa de ensino em que os alunos se encontram, a disponibilidade de frutas e verduras da época e ainda acompanhamos as entregas”, explica a nutricionista Anne Cauduro, da Secretaria de Educação.

No ano passado, foram adquiridas mais de 285 toneladas de alimentos para as escolas infantis, de ensino fundamental, Mais Educação e contraturnos. Nesse montante estão incluídos itens como aipim, banana, maçã, kiwi, brócolis, alface, lentilha, ervilha, gelatina, suco de uva integral, carne bovina, ovos, iogurte, entre muitos outros. “Temos diversidade de ingredientes em todas as refeições, com equilíbrio entre carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais”, diz Anne. Regularmente são feitos os chamados testes de aceitabilidade, quando novos pratos e itens são incluídos no cardápio. Esse ano, foram inseridos massa integral, chuchu, suco de maracujá e até o doce chico balanceado.

O trabalho realizado pela Prefeitura segue e supera às exigências do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A Lei nº 11.947 determina que no mínimo 30% do valor repassado aos municípios seja utilizado na compra de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar. Em Farroupilha esse percentual chega a 79%, ultrapassando a meta estabelecida nacionalmente, aumentando assim a variedade e qualidade do cardápio.

Muitos deles são totalmente orgânicos, ou seja, sem agrotóxicos, como couve flor, laranja, tempero verde, repolho e suco de uva. “A gente que tem a possibilidade de acompanhar a questão evolutiva da educação no nosso município, observa que há alguns anos não era necessário nem ter nutricionista, era o pão com “chimia”, leite com achocolatado, enfim… e hoje toda refeição é pensada, planejada, é evolução imensa dentro das escolas. Antigamente nem se pensava em frutas e verduras e hoje é uma realidade. Quem ganha com isso são os nossos alunos e principalmente a gente que está podendo possibilitar essa merenda de qualidade”, reflete Elaine.

Mas o caminho para uma boa alimentação escolar não para por aí. Para garantir que a comida consumida pelos mais de oito mil alunos da rede esteja perfeita, a Secretaria de Educação mantém diversas iniciativas que capacitam serventes e auxiliares de cozinha, observam a rotina dentro dos espaços e evitam o desperdício dos produtos. Os alimentos não perecíveis são adquiridos a cada dois meses, e os perecíveis semanalmente, sendo que as escolas informam a necessidade real do período e ao final de cada mês enviam à Prefeitura uma planilha com atualização do estoque, cardápio do mês e número de alunos que consumiram.

As nutricionistas realizam regularmente visitas técnicas, a fim de observar o armazenamento dos gêneros, o preparo, o cumprimento do cardápio e a oferta aos alunos. Dona Eva Oroski, 54 anos, é a responsável pela equipe de cozinha da Escola Municipal Teotônio Vilela, no bairro Industrial. Servente escolar há mais de 17 anos, ela se emociona ao falar sobre o cuidado que tem ao receber e armazenar os ingredientes. “Podem olhar o meu freezer, eu guardo tudo bem certinho. Essa carne que está aqui, vou usar até o fim dessa semana, por que vamos receber mais. Então, faço tudo como as nutricionistas mandam, não deixo nada ficar velho, está tudo sempre novinho”, diz.

Na Escola Teotônio Vilela, Dona Eva e suas colegas Ivone Pomagerski e Dália Herpich preparam e servem com muito afeto, em média 615 refeições por dia. Por estar localizada em um bairro onde os moradores apresentam uma condição financeira menor, os estudantes também recebem o café da manhã. “Eu faço tudo isso com muito amor, às vezes tenho dores, chego aqui e tudo passa. Eu adoro quando eles querem mais, quando me encontram no mercado aqui do bairro e me pedem o que vai ter de lanche no outro dia. Minha recompensa é ver os pequenos e grandões repetirem minha comida”, se alegra Eva.

As escolas municipais de educação infantil também têm uma condição especial: fornecem cinco refeições aos dias para os pequenos. As demais servem os lanches da manhã e tarde. Somando todas as 35 escolas da rede, o número de refeições varia de 6,5 a 7 mil por dia. Algumas delas já tem refeitórios, um espaço apropriado para a hora do lanche, como as Escolas Zelinda Rodolfo Pessin, Padre Vicente Bertoni, Nossa Senhora de Caravaggio, Nova Sardenha e Angelo Venzon Neto. As instituições também receberam novos utensílios e equipamentos de cozinha, como fogões, geladeiras, freezers, refrigeradores, fornos elétricos, além de materiais de cantina e calçados de segurança para manipuladores.

As atividades do dia a dia da cozinha, alimentação saudável, importância de higienizar os produtos são temas que não passam batido pelo Departamento de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação. Junto com Anne, a nutricionista Fabiana Bernardi e a estagiária Vitória Queiroz desenvolvem diversas atividades. Uma das mais importantes é a avaliação das crianças e adolescentes, que dá a dimensão da realidade vivida por eles e de como a escola está atuando nessa questão.

Nutricionistas Fabiana Bernardi, Anne Cauduro e a estagiária Vitória Queiroz trabalham desde o pedido até a chegada dos alimentos no prato dos estudantes

Os jovens são contemplados pelo Programa Saúde na Escola (PSE), uma iniciativa do Ministério da Educação, que avalia as condições de saúde dos mesmos e promove ações de prevenção de doenças e de agravos à saúde. No ano passado foram priorizadas as avaliações na EMEIs, em virtude do início das atividades delas. “Foram avaliadas 173 crianças, sendo que 9,25% estão com excesso de peso; 2,89% com baixo peso e 87,86% dentro do peso normal”, destaca a nutricionista Fabiana Bernardi.

Merendeiras, cozinheiras e auxiliares já trazem como vocação o dom de cozinhar com muito amor. Mas além desse carinho todo, é preciso muito cuidado ao armazenar e manipular os alimentos. Por isso, além das vistorias em suas cozinhas, elas também são capacitadas. O projeto “Cozinha Escolar – Alimentação com Qualidade e Amor” tem como objetivo valorizar e incentivar as boas práticas, premiando os profissionais de com a pontuação alcançada a partir de um check list, preenchido durante visitas técnicas das nutricionistas da Secretaria. “Ficamos felizes quando visitamos as escolas, as crianças estão aceitando bem a alimentação oferecida e também quando recebemos reconhecimento pelo trabalho desenvolvido”, reflete Anne.

Comida e amor tem uma relação muito próxima mesmo. Uma pesquisa realiza em 11 países pela empresa Edelman Berland e divulgada pela Revista Pais e Filhos, da Editora Abril em 2015, revela que o momento da refeição tem a capacidade de unir familiares e amigos, além de conectar pessoas a lembranças boas. O estudo feito com mais de 7 mil pessoas mostrou que a relação com a comida vai além do aspecto nutricional, tem a capacidade de produzir conexões afetivas e transformar a vida das pessoas.

Farroupilha segue esse caminho e vem conquistando muitos resultados positivos com a merenda farta, saborosa, saudável e feita com muito amor, como fala a Secretária Elaine, com os olhos cheio de alegria. “Além da questão nutricional que é importante, pois se estou nutrido eu aprendo com mais humor, alegria e facilidade, existe a questão do fator social. É na hora da mesa que tu socializas, estabelece o afeto, o vínculo afetivo, numa situação prazerosa. Dividir uma refeição com aqueles que tu gostas, é maravilhoso. Na escola, nada melhor que dividir com teus colegas e amigos. Nós nos sentimos felizes em estender para àqueles que não têm como fazer isso na sua casa, refeições de muita qualidade”.

 

Texto: Renata Parisotto

Fotos: Adroir Fotografo e Secretaria de Educação 

Edição: Assessoria de Imprensa e Comunicação Social

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